É como dizem: mente sã, corpo sadio.

Podemos ter um corpo saudável de várias maneiras. Uma delas é ‘herdar’, ou seja, receber um legado genético dos nossos antepassados, que inclui genes que nos dão força e flexibilidade metabólica, de modo a ser capaz de suportar tanto o nosso corpo e para se adaptar às tensões da vida cotidiana. Mas podemos ganhá-lo, adotando um nas áreas que temos mais capacidade de controle: dieta e atividade física.

A este respeito, muito foi dito e falar sobre alimentação saudável ainda gera muitas dúvidas sobre o “menu perfeito”. Muito provavelmente, eles variam de pessoa para pessoa, tal como sugerido pela ciência da Nutrigenômica. O mesmo vale para atividade física. É o suficiente para todas as pessoas o costume de andar pelas ruas na hora de lazer ou parques? Ou será que nós realmente precisamos “suar a camisa” para obtermos os benefícios esperados? Provavelmente isso também é algo individual, de acordo com nosso genoma. O que parece claro é que qualquer atividade é melhor do que nenhuma.

O exercício não apenas causa impacto sobre a saúde física (corpo saudável), como também é um dos principais contribuintes para a saúde mental (mente sana), melhorando o humor e ajudando a superar a depressão. Além disso, pode influenciar muito positivamente na memória.

Ter boa memória e a capacidade de criar, armazenar e acessar é uma parte essencial da vida cotidiana. Desde lembrar-se onde estão as chaves, até memorizar informações para uma classe (um professor, por exemplo), a memória nos permite funcionar e interagir adequadamente com o mundo ao nosso redor. Não é de surpreender, então, que todos nós nos preocupamos com a memória. Enquanto alguns preferem seletivamente apagar partes da mesma, o que fica claro é que a “perda de memória”, ou não ser capaz de “lembrar as coisas como antes” são alguns dos primeiros indícios que nos levam a perceber que o nosso cérebro está envelhecendo.

Portanto, em uma sociedade que está mudando a pirâmide populacional para idades cada vez mais avançadas, o mais importante é manter uma mente saudável, incluindo a memória, é cada vez mais imperativo para o bem-estar individual e social.

Efeito Sobre Jovens e Idosos

Apenas no último mês, vários estudos têm mostrado como o exercício é um importante aliado para capturar memórias e fazer sua “manutenção”. Este foi o caso em um estudo realizado por um grupo de estudantes universitários irlandeses, o qual mostrou que após serem expostos a fotografias desconhecidas e nomes desconhecidos, aqueles que tinha realizado exercícios exaustivos (bicicleta) se lembraram dos nomes, muito melhor do que aqueles que tinham descansado. Mas os voluntários eram jovens e, provavelmente, estavam no auge da sua capacidade intelectual.

Será que isso também se aplica a idade mais avançada e, potencialmente, nos mais engajados na atividade mental? Neste sentido, os cientistas brasileiros descobriram que em ratos sedentários com idades avançadas, o simples fato de correr por cerca de cinco minutos várias vezes por semana bastou para ativar os processos bioquímicos associados à memória. Resultados semelhantes foram obtidos por pesquisadores na Califórnia e publicados na revista Neuroscience.

O denominador comum em todos estes estudos foi a ativação de uma molécula conhecida como fator neurotrófico (BDNF), que pertence as neurotrofinas, uma família de proteínas que promove a sobrevivência dos neurônios.

Por algum tempo, os cientistas acreditavam que o BDNF ajuda a explicar porque a função mental parece melhorar com o exercício e esta série de estudos em humanos e animais foi reforçada com esta crença. Mas, interessante, é a observação de que essas moléculas são ativadas ao exercer sua função em resposta ao exercício mesmo em idades mais avançadas, o que sugere que nunca é tarde para atividade física, e abre enormes possibilidades na população adulta para evitar o “declínio dos anos”, e, até mesmo, como terapia em pessoas mais velhas já afetados pela perda de memória.

A evidência da importância do BDNF em seres humanos vem também da Califórnia, em pesquisa publicada na revista Psychiatry. Os pesquisadores estudaram o comportamento de 144 motoristas, com idades entre 40 e 65 anos, em um simulador de vôo, periodicamente, por dois anos. Durante este tempo, o desempenho dos pilotos foi declinando de uma maneira generalizada, mas, o declínio foi particularmente rápido entre os pilotos que tiveram uma variação genética do gene BDNF, resultando em uma redução da atividade desta proteína no cérebro.

Isto sugere que talvez os portadores dessa variante genética seriam a prioridade de medidas preventivas com base no exercício físico e, assim, significativamente, prorrogaria o período de atividade mental desses indivíduos.

Mas não devemos esperar que o conhecimento científico nos permita distinguir entre aqueles que se beneficiam mais ou menos do exercício. O que está claro, é que nos beneficiamos de um estilo de vida ativo, o qual é fundamental para manter o equilíbrio entre a qualidade da saúde física e mental, tão necessárias para viver em cada uma das fases de nossas vidas.