Levar uma dieta restrita de alimentos sem glúten, vigiar os excipientes dos medicamentos que utilizam e visitar periodicamente o profissional de saúde em função da evolução física, são algumas das principais recomendações para que as pessoas celíacas possam evitar problemas de saúde.

A enfermidade celíaca é uma patologia que afeta uma em cada cem pessoas (duas vezes mais mulheres do que homens) é uma intolerância permanente aos alimentos que contém glúten (proteína que se encontra nas sementes de cereais como o trigo, a cevada e o centeio) e afeta o ritmo do intestino delgado e pode provocar danos na absorção dos nutrientes. Isto gera estados de deficiências que podem levar ao aparecimento de manifestações clínicas. Sendo uma intolerância e não uma alergia, a doença celíaca não produz reações imediatas, o que dificulta o seu diagnóstico e pode deteriorar e agravar o estado de saúde do paciente. É preciso acrescentar a este quadro, que seus sintomas são muito específicos e se manifestam de diversas maneiras em função da idade.

  • Entre os 9 e os 24 meses, náuseas, vômitos e diarreias, distensão abdominal, perda de massa muscular e de peso, falta de crescimento, irritabilidade e falta de tônus muscular.
  • Na infância são habituais as fezes moles, baixa estatura, anemias e alterações de humor.
  • Na adolescência, a doença celíaca geralmente é assintomática.
  • Adultos: Os sintomas mais frequentes são a fadiga, as dores abdominais, gases e anemias.
  • Além disso, em alguns pacientes a doença celíaca apresenta constipação, sintoma que pode ser diagnosticado incorretamente como síndrome do intestino irritável.
  • Algumas patologias se associam a doença celíaca como, por exemplo, a dermatite herpetiforme, diabetes tipo I, enfermidade do fígado e tiroide, síndrome de Down e a intolerância a lactose.

Fatores de Risco e Dieta

A doença celíaca é uma enfermidade crônica que não pode ser prevenida ou curada, porque as causas são desconhecidas. O que se sabe é que o seu desenvolvimento é influenciado por fatores ambientais (dietas com glúten) como outros relacionados com o sistema imunológico e genéticos (indivíduos predispostos). De fato, a pessoa que tem um familiar de primeiro grau com a doença celíaca tem entre 5% e 15% mais probabilidades de padecer da enfermidade.

Ao não existir tratamento para curar a enfermidade, nem prevenir o seu aparecimento, a única medida capaz, para melhorar o estado de saúde dos pacientes é uma dieta restrita sem glúten por toda a vida. Para isso é fundamental que o paciente conheça a lista de alimentos que não contém glúten e os que contêm. Entre os que não contêm podemos destacar o leite e seus derivados (queijos, iogurte natural, etc.), todo tipo de carnes frescas, congeladas e naturais, além de carne seca, presunto cru ou cozido, peixes frescos e congelados (sem massa), mariscos, ovos, verduras, hortaliças e tubérculos, frutas, arroz e legumes, vinho e frutas secas, desde que estejam cruas.

A pessoa celíaca deve evitar principalmente, os pães, farinhas de trigo, cevada e centeio, assim como os produtos que os contenham, os doces e bolos, a cerveja e alguns molhos para saladas. Além desses, existem outros alimentos com os quais é preciso ter precaução como os embutidos, patês, sorvetes, etc.

Leia também: “Como Identificar os Alimentos Sem Glúten“.

Em todo caso, é útil que as pessoas com a doença celíaca consultem periodicamente a lista de alimentos aptos para celíacos. Além disso, estas pessoas devem advertir sempre a sua condição quando viajar e comer fora de casa (cantinas escolares, ou refeitórios de empresas, restaurantes, hotéis, hospitais, etc).

Contaminação Cruzada e Medicamentos

Em algumas ocasiões, e apesar de seguir uma dieta sem glúten, as pessoas celíacas podem continuar sofrendo incômodos. A causa pode ser a contaminação cruzada (produtos sem glúten que se contaminam ao serem elaborados em uma mesma linha de produção de outros produtos que levam), assim como o fato de que alguns medicamentos podem conter em sua composição excipientes com glúten. Para evitar esse problema é necessário que o paciente converse com o seu médico e com o farmacêutico sobre sua condição de celíaco e também leia as bulas e folhetos informativos dos medicamentos, em que é obrigatório constar a existência de glúten como advertência.

Por último, e tendo em conta que a doença celíaca é uma enfermidade crônica, o paciente deverá em função da sua evolução visitar periodicamente os profissionais de saúde (Clínico Geral, Gastroenterologista, Nutricionista e Farmacêutico, etc.) para que realizem um acompanhamento e monitoramento da sua dieta.