O consumo de substâncias como o álcool, tabaco e maconha entre adolescentes tem aumentado nos últimos anos e está causando um aumento nos casos de duplo diagnóstico entre as mulheres.

Segundo os especialistas, durante a adolescência ocorre o experimento das substâncias, aumentam as taxas de consumo e começam um grande número de transtornos mentais. Ocorre que o cérebro do adolescente ainda não atingiu o seu pleno desenvolvimento e que há uma complexa interação de fatores biológicos e ambientais, a juventude irá apresentar uma maior vulnerabilidade ou predisposição para a primeira utilização de tabaco, álcool, maconha e outras substâncias de abuso.

Um dos fatores que causam a vulnerabilidade do uso de substâncias e desenvolve um transtorno de abuso durante a adolescência é a presença de história familiar de doença mental ou vícios – presente em mais da metade dos casos, a idade da primeira utilização, a presença prévia de distúrbio de comportamento, certos traços de personalidade e influência do grupo. No entanto, os especialistas concordam que, no caso de meninas adolescentes o risco aumenta devido à interação de fatores biológicos e psicossociais. De acordo com os médicos, os adolescentes estão particularmente em risco de desenvolvimento de diagnóstico dual.

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Um estudo realizado na Unidade de Comportamentos de Dependência ligada ao Hospital Arnau de Vilanova de Valencia – Espanha destaca as diferenças entre os sexos em caso de dupla patologia em adolescentes. Isto confirma que a maconha é o principal gatilho para os casos de duplo diagnóstico, seguida pela cocaína, mas como o especialista Dr. Amparo Sánchez lembrou “as meninas estão frequentando clínicas pelo uso da maconha, enquanto nos rapazes este abuso de substâncias é combinado com o uso de cocaína ou crack”.

De acordo com especialistas, maconha, cocaína e drogas sintéticas entre os adolescentes tem uma influência decisiva sobre o fracasso escolar e explica que entre 25% e 30% deles não completam a sua educação, além de favorecer o surgimento de doenças psiquiátricas em idade cada vez menor. Neste sentido, têm se observado o aparecimento do transtorno alimentar, distúrbios que sustentam mais da metade dos casos, um quadro de transtorno de déficit de atenção. Especialistas dizem que alguns comportamentos podem fornecer pistas a partir dos cinco ou seis anos no diagnóstico duplo de futuros casos como baixo rendimento escolar, alterações no comportamento, impulsividade e confronto com pais e mestres ou desatenção.