Até agora, vários estudos têm associado os níveis elevados de consumo de cafeína com um maior risco de abortos espontâneos, defeitos congênitos e problemas no crescimento fetal. No entanto, uma recente revisão da literatura científica por parte do Instituto Canadense Motherisk que fornece informações e orientação para mulheres grávidas ou no período de lactância, assim como para profissionais de saúde sobre os riscos para o feto pela exposição a determinadas substâncias – revelou que a maioria dos dados obtidos a respeito do consumo de cafeína em diferentes estudos analisados, não representam perigo durante a gravidez e lactação se consumidos diariamente 300 mg ou menos.

Com base nesta revisão, uma mulher grávida pode consumir até 300 mg de cafeína por dia, o que corresponderia a quatro xícaras de café instantâneo ou duas de café puro, ou seis xícaras de chá ou oito latas de refrigerante.

Neste sentido, os autores desta revisão advertem que a maioria dos estudos realizados não avaliou mulheres com uma ingestão diária de cafeína de 300 mg ou mais. Além disso, têm sido identificadas muitas falhas nas metodologias dos estudos realizados, tais como a falta de controle de alguns elementos, como tabaco e consumo de álcool.

Portanto, não existem provas suficientes de associação entre o consumo de cafeína e o aumento de abortos espontâneos, especialmente se são consumidos menos de 300 mg por dia. Da mesma forma, não existem riscos de defeitos congênitos nem no crescimento fetal se for consumida a quantidade diária recomendada.

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Fertilidade

A revisão examina diferentes estudos sobre o assunto e conclui que não existe uma relação direta entre o consumo de cafeína e possíveis problemas de fertilidade. Um estudo retrospectivo europeu coletou informações no momento da concepção, em mais de 3.000 mulheres entre 25 e 44 anos; os autores concordam que um elevado consumo de cafeína, 500 mg por dia ou mais, pode atrasar a concepção.

Entretanto, outros estudos, como o realizado entre o ano de 2000 e de 2009, no qual se avaliavam os efeitos da cafeína nos resultados de fertilidade, certificando de que não há uma relação positiva entre o consumo de cafeína e os efeitos adversos na fertilidade. Nesta mesma linha se encontra o estudo de 2010 que concluía que não existia uma vinculação entre o consumo de cafeína – neste caso de uma média de 455 mg por dia – e a taxa de êxito de gravidez após a fecundação in vitro.

Neurodesenvolvimento

Além dos efeitos da cafeína durante gravidez, também foi mencionado que o consumo desta substância poderia ter consequências no comportamento do bebê. Neste sentido, numerosos estudos relataram que não existem efeitos adversos no desenvolvimento e conduta das crianças com o consumo moderado de cafeína (300 mg, ou menos por dia) durante a gestação.

Um estudo realizado no Brasil com mais de 800 crianças demonstrou que não havia relação em acordar com frequência durante a noite (mais de três vezes por noite) durante os 3 primeiros meses de vida, com o consumo por parte da mãe de uma média de 144 mg diários de cafeína. Quase 20% das mães eram consumidoras regulares de cafeína, durante a gravidez 300 mg ou mais, porém a diferença não era significativa em relação aquelas que tomavam menos de 300 mg diários.

Neste momento, os dados sobre o consumo de 300 mg ou mais de cafeína são contraditórios, portanto, a recomendação dos peritos do Motherisk, é o consumo de pequenas quantidades de cafeína. O consumo moderado não trará problemas na gravidez para o desenvolvimento do bebê.