Todos os dias e várias vezes ao dia tomamos decisões sobre o que comer e quanto comer, algumas delas, inconscientemente, o que afeta diretamente tanto o peso como a saúde.

A maioria dessas decisões nem sequer sabemos que a tomamos, já que provém de comportamentos repetitivos ou de influências ao nosso redor.

Muitas vezes acontecem coisas como “abrir um grande saco de batatas fritas e não conseguir para de comer até que o saco esteja vazio” ou “depois de comer eu sempre sinto vontade de comer algo doce” ou “vou me servir mais um pouco, pois coloquei pouco da primeira vez”.

O nutricionista e especialista em comportamento alimentar Brian Wansink, da universidade Cornell (EUA), explica em seu livro “Por que Comemos Tanto” (Mindless Eating), que são mais de duas centenas de escolhas alimentares diárias automaticamente. Estas levam a comer mais do que o habitual, sem se ter consciência disso, e muito menos as consequências, tais como o ganho de peso.

Um dos principais fatores que influenciam a escolha e consumo de alimentos é o humor. Nervosismo, ansiedade, depressão, pressão para terminar algum trabalho, tristeza, alegria desenfreada são estados de espírito que cada um canaliza da sua maneira.

Alguns alimentos são o alívio ou escape dessas emoções e diferem de pessoa para pessoa. Inclusive muitas vezes elas comem esses alimentos automaticamente, o mecanismo se repete uma e outra vez. Uma alternativa adequada para detectar o padrão pessoal de resposta de diferentes emoções é manter um diário alimentar, onde você escreve o que come, quando, como e por quê, incentivando-o a tornar-se mais consciente de que os alimentos são escolhidos de acordo com o estado de humor e seus sentimentos sobre o que você come. Isto eventualmente ajuda a evitar excessos dos alimentos e as consequências para a saúde que isso implica.

Outro fator na escolha e consumo de alimentos é a companhia. De acordo com Wansink, comer na companhia de mais de seis pessoas faz você consumir até 96% a mais do que se você comer sozinho. Outros estudos mostram que se come por imitação, o comportamento para comer é influenciado pelo comportamento dos outros. Em qualquer caso, é sempre bom servir-se com uma quantidade inferior a 20% do normal, com a opção de repetir se ainda estiver com fome. Caso contrário, é provável que volte a ocorrer, mesmo que inicialmente já tenha se servido com uma maior quantidade.

Ter muitas opções também nos coloca em apuros em termos de quantidades e tipos de alimentos que não só influenciam a fome e o apetite, como também sensações organolépticas estão presentes, ou seja, aroma, cor, apresentação, etc.

Os pratos que se utilizam disso também influenciam na quantidade de alimentos que ingerimos. Um estudo realizado nos Estados Unidos mostrou como os participantes continuaram comendo até ver terminado todo o prato, não importando se tinham fome ou não. É por isso que se recomenda que às vezes é melhor usar pratos de salada para o prato principal.

Deve-se ser cuidadoso no tamanho dos copos. Ultimamente grandes copos são utilizados nas refeições, o que causa um aumento de até 200% de líquido ingerido durante uma refeição, seja suco ou refrigerante, você aumenta a ingestão de calorias sem perceber.

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E por último, mas não menos importante, comer enquanto assiste televisão ou durante o trabalho e relaxar no computador. Wansink e outros concordam que as pessoas que comem na frente da televisão ou do computador comem um terço a mais do que o normal, porque não está focado em comer de forma consciente, o que leva a comer uma maior quantidade. Por não prestar a atenção necessária, não percebendo as mensagens do cérebro e alertam que o estômago está cheio e continua comendo.

Portanto, precisamos conhecer os fatores que mais influenciam nossas escolhas alimentares, devemos avaliar o nosso comportamento e detectar onde estamos mais vulneráveis, buscar alternativas para nos ajudar a trazer ordem e, em seguida, melhorar passo a passo a forma como nos alimentamos em longo prazo, nos proporcionariam uma vida saudável.