A síndrome dos ovários policísticos é provavelmente a causa mais comum de infertilidade em mulheres por falta de ovulação. Sua compreensão é complicada devido à fisiopatologia heterogênea e desigualdade de critérios para uma definição comum.

Poderia ser definido como ovário o que tem a presença de mais de 8 folículos menores do que 10 mm de diâmetro, dispostos perifericamente e um estroma ovariano hiperecoica na presença de oligo ou amenorreia (ausência de regras ou pequena quantidade) e/ou sintomas clínicos de hiperandrogenismo como hirsutismo (aumento de pelos) e acne.

Uma característica comum em todos os casos de ovário policístico é a morfologia ovariana, contrariando os dados clínicos e endócrinos que são variáveis entre uma paciente e outra.

Causas do Ovário Policístico:

No que diz respeito à sua causa, foram encontradas anormalidades no hipotálamo, hipófise, ovários e glândulas suprarrenais, mas sem encontrar uma hipótese comum entre todos eles.

A síndrome clínica de hiperandrogenismo com oligomenorreia ou amenorreia está em 1% a 4% das mulheres em idade fértil, e correspondem aproximadamente 75% dos casos de infertilidade anovulatória.

Sintomas do Ovário Policístico:

As mulheres com ovários policísticos podem exibir uma ampla variedade de sintomas clínicos. A típica apresentação é a presença de amenorreia, hirsutismo e obesidade, mais a presença de ovários policísticos bilaterais.

Síndrome do Ovário Policístico: O Que É, Causas, Sintomas e Tratamento

Esta combinação não é exclusiva do ovário policístico, já que também está associada a outros distúrbios endócrinos, como a síndrome de Cushing, hiperplasia adrenal congênita, tumores do ovário e virilizante adrenal, hiperprolactinemia, hipertireoidismo e hipotireoidismo.

Se descartarmos essas doenças, pensamos nesta síndrome diante de uma mulher com irregularidades menstruais que provavelmente desenvolve hirsutismo leve a grave, junto com um aumento nos níveis de testosterona e ganho de peso (algumas mulheres não apresentam).

É frequente que os sintomas comecem em torno da puberdade.

Leia também: “Dieta Para o Controle da Síndrome do Ovário Policístico“.

Diagnóstico Para Ovário Policístico:

Os achados laboratoriais não são homogêneos, sendo característica a produção excessiva de andrógenos.

Comparando as mulheres com síndrome de ovário policístico e mulheres normais encontram-se para as primeiras, níveis elevados de progesterona livre, de androstenediona, LH, aumento da relação LH/FSH (em 70% dos casos), estradiol livre, estrona e insulina em jejum; assim como uma redução dos níveis de proteína transportadora de hormônios esteroides (SHBG).

Os resultados são mais significativos quando as mulheres com ovários policísticos são separadas em dois grupos: obesas e magras; revelando elevados níveis de insulina, testosterona livre e estrona, mas baixos de SHBG e normais de LH nas obesas em comparação com as magras.

O perfil endócrino irá variar de acordo com os sintomas:

  • As mulheres com ovário policístico que ovulam e menstruam terão níveis baixos de LH, testosterona, androstenediona e insulina em jejum em comparação com aquelas que não o fazem.
  • A resistência à insulina ocorre quando existe oligo ou amenorreia, mas não em pacientes com ciclos regulares.
  • As pacientes com hirsutismo têm níveis elevados androgênios e baixos de SHBG em comparação com aquelas que não o são.
  • As concentrações de LH são maiores em pacientes inférteis e naquelas que abortam.

Embora a causa exata permaneça desconhecida e se considere mais uma síndrome multifatorial, o eixo do problema, na maioria dos casos, são as alterações na morfologia dos ovários e a excessiva produção de androgênios.

Foram encontrados níveis elevados de quase todos os hormônios androgênicos e seus precursores.

Este excesso de andrógenos é responsável pela moderada elevação dos níveis totais de estrogênio, provenientes principalmente da conversão periférica de androstenediona ao estrogênio.

Demonstrou-se que a origem dos androgênios nesta síndrome é principalmente do ovário com 50% de pacientes com níveis elevados de androgênios suprarrenais.

Do ponto de vista morfológico, estes ovários estão aumentados de tamanho bilateralmente e cada um tem uma cápsula avascular lisa, mas espessa. Nos cortes mostram numerosos cistos subcapsulares, cujo diâmetro varia de 4 a 7 mm, em geral revestidos por algumas poucas camadas de células da granulosa.

O aspecto mais marcante é a hiperplasia das células estromais e tecais que rodeiam os folículos císticos. Este é resultado da estimulação crônica por LH e produção excessiva de androgênios.

A elevada concentração intra-ovárica destes pode exercer um papel inibidor sobre a maturação folicular e desenvolvimento das cápsulas ovarianas. Existe uma alta prevalência dentro de uma mesma família, o que sugere um componente genético, mas sua demonstração tem sido difícil.

Tratamento Para Ovário Policístico:

Não existe nenhum tratamento eficaz dirigido para a origem real; mas há uma quantidade de protocolos que são destinados a quebrar o ciclo vicioso desta reação em cadeia.

A lista de tratamentos é em geral sintomática, depende das necessidades da paciente e sua situação clínica, tratando alguns dos sinais dermatológicos inaceitáveis de hiperandrogenismo (acne e hirsutismo), em outras a infertilidade e em todas constitui uma premissa minimizar o risco complicações ginecológicas ou não ginecológicas.

Uma primeira divisão principal na escolha da terapia pode ser o desejo ou não da fertilidade:

  • As pacientes que sim desejam ser tratadas com sucesso através de distintos métodos para induzir a ovulação.
  • Para os pacientes que não a desejam, trata-se a regulação do ciclo menstrual, a supressão do hiperandrogenismo, uso de progesterona para oposição se não tem abundante clínica de hiperandrogenismo e provisão de contracepção, se necessário, já que o risco de concepção em uma mulher que não deseja fertilidade não é um argumento lógico contra a reversão precoce do sistema hipotálamo – hipófise – ovário acíclico.

Estas pacientes poderiam se submeter à indução da ovulação (embora não seja o tratamento de escolha nestes casos) para conseguir os ciclos e receber o mesmo assessoramento anti-gestacional que as mulheres com ciclos ovulatórios normais; em última análise, isso dependerá da paciente e do profissional que orienta seu tratamento.

O tratamento de escolha (se você não estiver interessada em conceber como esclarecido) é a combinação de acetato de ciproterona (progesterona sintética, com efeito, tanto antigonadotropo como anti-andrógeno) com etinilestradiol, esta consegue a supressão do hiperandrogenismo com a melhora dos sintomas clínicos e normalização das alterações hormonais.

Leia também: “Cistos de Ovário: Tratamentos“.

A ressecção em cunha dos ovários (realizada desde 1906) restaura os períodos menstruais, conseguindo taxas de gravidez aceitáveis. Nem sempre os resultados são permanentes. Seu mecanismo de ação não está claro e traz o risco de gerar aderências que comprometem a fertilidade futura por adição de um fator mecânico de infertilidade.

Diatermia ovariana por laparoscopia: com base no princípio de ser capaz de conseguir os mesmos efeitos que a ressecção em cunha evitando a lesão mecânica.