Recentes estudos científicos contra a obesidade, realizados em ratos, demonstraram que a composição da flora intestinal do corpo está fortemente relacionada com o metabolismo.

Este resultado é o primeiro passo para o desenvolvimento de probióticos e planos alimentares personalizados para poder tratar e prevenir tanto o excesso de peso como a obesidade.

A revista Science dos Estados Unidos, publicou no início de setembro deste ano, o resultado de um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Washington, que as investigações foram realizadas com roedores de laboratório inoculados com bactérias intestinais de pessoas obesas e magras.

Os cientistas comprovaram que os ratos que receberam os micróbios intestinais de obesos, ganharam mais peso do que o grupo de receptores das bactérias provenientes de pessoas magras.

Cabe destacar que ambos os grupos de roedores foram alimentados da mesma forma e consumiram igual quantidade de alimentos, portanto, o ganho de peso se deve exclusivamente as diferentes floras intestinais que possuíam.

Além disso, os cientistas para poder determinar quais micróbios promoveram o ganho de peso, trancaram ambos os grupos de ratos em uma mesma gaiola para que além da comida, consumissem suas fezes, a fim de trocar as floras intestinais.

A Flora Intestinal e Seu Efeito Sobre o Aumento de Peso

No decorrer dos dias, os ratos obesos desenvolveram as mesmas características metabólicas do que os magros, e estes não foram afetados pelas bactérias intestinais dos roedores obesos.

É por isso que os cientistas foram capazes de determinar que algumas bactérias da família de Bacteroides, são capazes de entrar no intestino e provocar alterações no metabolismo dos ratos obesos. Da mesma forma, nenhuma bactéria proveniente da flora intestinal destes foi capaz de alterar o metabolismo dos ratos magros.

Uma vez concluída esta fase do estudo, os ratos foram alimentados com o que seria equivalente a dois planos alimentares modernos. Um rico em fibras e pobre em gordura saturada, e outro pobre em fibras e rico em gordura.

Os ratos obesos que foram alimentados com uma dieta saudável formaram as bactérias intestinais dos ratos magros, enquanto que aqueles que ingeriram alimentos ricos em gordura e pobre em fibras, não experimentaram a mesma mudança.

Além disso, os ratos magros submetidos a esta dieta não foram capazes de manter a flora intestinal, que lhes ajudava a conservar o peso.

Os resultados deste estudo indicam que existem interações mais complexas do que se acreditava entre a alimentação, a flora intestinal e a massa corporal em desordens metabólicas.

Graças a estas investigações é possível detectar estas interações baseadas em alimentos consumidos, e assim ir mudando o plano alimentar prejudicial para que se possa gerar uma flora intestinal que seja benevolente com o metabolismo e previna o aumento de peso.

Leia também: “Dicas para Cuidar Bem da Flora Intestinal“.

Outros Estudos Relacionados

Uma análise realizada nos Estados Unidos em pessoas submetidas a uma intervenção de bypass gástrico, mostrou que também apresentavam uma mudança nas bactérias intestinais, o que explicaria 20% da sua redução de peso.

Na revista Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, foram publicados os resultados de um estudo efetuado em 792 pessoas, no qual se analisava a respiração das mesmas. O resultado foi conclusivo, aqueles que apresentavam sobrepeso possuíam grandes colônias do micróbio Methanobrevibacter smithii em seus intestinos.

Outro estudo realizado a respeito, apareceu em março na revista, revelando a análise da respiração das pessoas que tinham em seus intestinos níveis elevados do referido micróbio estavam acima do peso.