Um novo estudo esperançoso da Clínica Mayo, realizado em conjunto com Caris Life Sciences, aponta a imunoterapia como uma alternativa de tratamento para pacientes com câncer de mama com mutação tripla negativa e de difícil tratamento. O estudo foi apresentado nesta semana no durante o quinquagésimo encontro anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em Chicago.

“O presente estudo poderia mudar a capacidade atual para o tratamento de pacientes com câncer de mama triplo negativo”, diz o Dra. Barbara Pockaj, a pesquisadora do estudo e cirurgiã da Clínica Mayo. “Isso poderia ser um sinal de que a imunoterapia serve para tratar estas pacientes que não contam com muitas alternativas, o que realmente ampliaria as suas opções”.

O câncer de mama triplo-negativo é um tipo de câncer de mama agressivo que escapa ao sistema imunológico, porque lhe faltam a expressão genética dos receptores de estrógeno, progesterona e HER2. Isto limita as opções de tratamento. O estudo examinou os biomarcadores envolvidos na evasão imunitária, inclusive o gene PD-L1 e sua relação com outras vias biológicas como possíveis alternativas de tratamento. A Dra. Pockaj acrescenta que em outros tipos de câncer, os pacientes que tinham o gene PD-L1 receberam tratamento com imunoterapia, que consiste em melhorar o sistema imunológico do corpo, e alguns dos resultados obtidos foram impressionantes.

“Isso é importante porque a imunoterapia continua surgindo como um tratamento eficaz para pacientes com câncer”, explica a médica. “Temos observado resultados notáveis ​​em pacientes com melanoma, carcinoma de células renais, e até mesmo câncer de pulmão. Portanto, a questão é saber se é possível estender este tipo de tratamento para pacientes com câncer de mama”.

Imunoterapia Pode ser uma Alternativa para o Câncer de Mama Difícil

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O estudo analisou 511 amostras de câncer de mama triplo-negativo através de um método de plataformas múltiplas, entre elas, a expressão do RNA mensageiro em todo o genoma, a expressão protéica, as alterações no número de cópias genéticas e o sequenciamento genético. O estudo descobriu que 25 a 30% tinham o gene PD-L1, o que significa que estas pacientes poderiam ser candidatas para receber a imunoterapia, e inclusive foi proposto que a percentagem poderia ser ainda mais elevada em pacientes portadoras do gene BRCA1 que produz proteínas supressoras tumorais. Embora os resultados devam ser mais pesquisados mais a fundo, ilustram como o perfil molecular pode identificar possíveis objetivos do tratamento para o câncer de mama triplo negativo e outros tipos de câncer de difícil tratamento.

“Agora, desejamos realizar estudos de validação nos quais seria esperado determinar se as pacientes com expressão excessiva do gene PD-L1 também apresentam alterações nos genes de reparação do DNA”, acrescenta a Dra. Pockaj. “De encontrar ambos, então a combinação de imunoterapia com quimioterapia poderia funcionar”.