A terapia neural pode tratar a dor crônica? É a pergunta que nos fazemos quando nos encontramos diante desta terapia, que supõe um interessante método de tratamento para aliviar a dor de diferentes doenças mediante a aplicação subcutânea de anestésicos. Até hoje, esta técnica conta tanto com detratores como com autênticos seguidores incondicionais.

O que é a Terapia Neural?

A origem desta terapia remonta ao ano de 1925, quando os irmãos e médicos alemães Ferdinand e Walter Huneke descobriram por acaso que a aplicação controlada e em pequenas porções de anestesia injetada acalmava a dor de cabeça crônica que sofria sua irmã, algo que nenhum outro medicamento havia conseguido.

Desde então, os especialistas do setor se aprofundaram nesta descoberta, dando origem a este novo tipo de terapia alternativa. Hoje em dia, é usada especialmente em países de língua alemã (Alemanha e Suíça) e parte da América Latina. Também na Europa, embora de uma forma mais minoritária.

Como Funciona a Terapia Neural?

O tratamento é baseado nas injeções localizadas de um anestésico local muito diluído para aliviar algumas irritações consequências de doenças, antigas lesões, traumatismos e outras condições. Geralmente se administra entre 0,5% e 1% de cloridrato de procaína, que possui um alto potencial elétrico (290 milivolts). É injetado em micro-doses sobre os pontos do sistema nervoso mais danificados, o que, por sua vez, causa desconforto.

É Verdade que a Terapia Neural pode Tratar a Dor Crônica?

Em teoria, a terapia neural é adequada para todos os tipos de pessoas, embora devam ser evitadas as injeções profundas em pessoas com problemas de coagulação. A melhoria do paciente pode ser imediata e aumentar à medida que acontecem as sessões ou, ao contrário, levar mais tempo. Isso depende de muitos fatores.

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Aplicações da Terapia Neural

De acordo com os especialistas nesta técnica, as injeções de anestésicos são eficazes para tratar, entre outras, as seguintes patologias:

  • Artrite e osteoartrite.
  • Dores de cabeça, enxaquecas e sinusite.
  • Problemas de tireoide.
  • Asma.
  • Gastrite e outros problemas digestivos.
  • Doença renal.
  • Transtorno do sono.
  • Distúrbios derivados de transtornos autoimunes.

Efeitos Colaterais da Terapia Neural

Podem ter lugar as inflamações nos locais de injeção, embora geralmente desapareçam em menos de 24 ou 48 horas sem a necessidade de aplicar nenhum produto. Por outro lado, às vezes pioram momentaneamente os sintomas iniciais, mas cedem depois de poucos dias. Além disso, não deve ser aplicada em casos de alergia a procaína ou de tratamento concomitante com sulfonamida.

Opiniões sobre a Terapia Neural

Existe certa controvérsia sobre a prática desta terapia alternativa, porque, embora alguns a considerem completamente inútil e inclusive prejudicial, outros garantem que é benéfica para o organismo.

No segundo grupo, encontramos a Dra. Marlen de la Torre Rosés, especialista de 1º grau em Anatomia Humana, que se posiciona a favor deste método, afirmando que “a terapia neural com anestésicos locais é uma arma maravilhosa na luta contra muitas doenças apesar de não ser usada abertamente em nosso meio”.

No entanto, seus detratores baseiam seu argumento em que a terapia neural não conta com nenhum respaldo científico. Assim explica Fernando Cervera, biólogo e membro da Apetp (Associação para Proteção do Doente das Terapias Pseudocientíficas): “O mecanismo de ação sobre o qual se baseia não está respaldado por nenhuma evidência científica (…). A Sociedade Americana do Câncer em um relatório de 2008 já alertava sobre esta terapia e sua falta de base científica e inclusive existem estudos que coletam efeitos colaterais prejudiciais”. Estas declarações foram publicadas em La Vanguardia em 18 de junho de 2017.

Nesta mesma publicação, podemos conhecer a opinião de Vicente Baos, médico de família e membro consultor da Agência Europeia de Medicamentos e da Agência Espanhola de Medicamentos e Produtos Sanitários: “A procaína é um anestésico em desuso porque tem riscos (…). A procaína diluída é como uma solução homeopática que não atua na inibição da transmissão nervosa, não faz nada. Os casos de sucesso da terapia neural são anedóticos”.

Em qualquer caso, o debate sobre a eficácia deste tipo de terapia permanece aberto e promete prolongar-se por vários anos.

O que você acha dessa informação sobre a terapia neural e seu uso para tratar a dor crônica?