Para Retardar A Demência: Artesanato, Computação E Vida Social

Os pesquisadores descobriram que os adultos mais velhos que participaram dessas atividades ou que usaram computadores em idades mais avançadas tiveram cerca da metade das probabilidades de experimentar demência leve ao longo dos quatro anos seguintes.

Os adultos que se interessam em atividades artísticas e sociais e em artesanato poderiam manter a agudeza mental por mais tempo, de acordo com o que sugere um novo estudo.

"Participar de atividades cognitivamente estimulantes tem efeitos benéficos em longo prazo no cérebro", disse a autora do estudo, Rosebud Roberts, presidente da divisão de epidemiologia na Clínica Mayo, em Rochester, Minnesota.

Para Retardar a Demência: Artesanato, Computação e Vida Social

O estudo não demonstrou que essas atividades, de fato, preveniram as deteriorações do pensamento, mas descobriu que o risco era menor entre aqueles que participavam delas. Os resultados foram publicados na edição online de 08 de abril edição da revista Neurology.

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Formas de Atrasar a Demência

Os pesquisadores acompanharam 256 adultos com idades entre 85 ou mais velhos por quatro anos. Quase a metade desenvolveu demência leve durante esse tempo.

Mas além das diferenças devido ao gênero e a educação, aqueles que participaram em interesses artísticos ao longo da sua meia idade e idade avançada tiveram 73% menos probabilidades de experimentar demência leve.

Da mesma forma, as pessoas que participaram de artesanato e atividades sociais tanto na meia idade como em idade mais avançada na vida tiveram cerca da metade das probabilidades de experimentar demência leve. Os pesquisadores descobriram que o resultado foi o mesmo para aqueles que utilizaram computadores em idade avançada.

É possível que adultos com mais acuidade mental tenham sido mais propensos a buscar essas atividades no início, mas os resultados sugerem que a participação contribui para a saúde do cérebro, de acordo com Roberts.

"Descobrimos que, se estavam envolvidos nessas atividades na meia idade, sem importar o que fizeram depois, ou tanto na meia idade como na idade avançada, o seu risco de deterioração [do pensamento] cognitiva diminuiu".

"Nos poucos casos de pessoas que começaram a realizar essas atividades na terceira idade também se apresentou um benefício, mas esse benefício não foi distinto estatisticamente daqueles que nunca participaram nestas atividades".

O Dr. Anton Porsteinsson, diretor de Atenção para a Doença de Alzheimer na Escola de Medicina da Universidade de Rochester, em Nova York, disse que os resultados são consistentes com pesquisas anteriores que mostram que as atividades sociais e artísticas parecem ajudar a proteger contra a deterioração mental.

"É difícil determinar qual é o ovo e qual é a galinha, mas há novas informações indicando que alguns tipos de atividade artística criativa podem estimular certas partes do seu cérebro que são mais vulneráveis aos danos devido ao processo de envelhecimento", disse ele.

Os pesquisadores também descobriram fatores de risco ligados ao aumento da deterioração mental. As pessoas com sintomas depressivos tinham mais do que o dobro da probabilidade de desenvolver uma deterioração cognitiva leve do que aqueles que não apresentavam sintomas. Estes sintomas podem ser parte do processo degenerativo do cérebro ou uma resposta à consciência da pessoa de que sua memória está falhando, afirmou Roberts, mas a razão por trás da associação entre a depressão e a demência não está clara.

Além disso, aqueles que desenvolvem pressão arterial elevada na meia idade tinham mais do que o dobro de probabilidades de desenvolver problemas de pensamento, segundo o estudo. Sofrer doenças vasculares aumenta o risco de demência leve em 13% e ter outras doenças crônicas aumenta o risco em 8%.

No entanto, o estudo apenas conseguiu mostrar uma associação entre estes fatores de risco e a demência, e não uma relação de causa e efeito.

"A hipertensão e as doenças vasculares podem ter um efeito sobre os pequenos vasos sanguíneos que irrigam o tecido cerebral, reduzindo gradualmente o transporte de oxigênio e combustível para esses neurônios, o que eventualmente leva a morte de porções cada vez maiores do cérebro", disse o Dr. Vernon Williams, neurologista e diretor do Centro de Medicina Desportiva e Neurologia para a Dor na Clínica Ortopedista Kerlan-Jobe, em Los Angeles.

Pesquisas no passado descobriram que outros fatores que podem proteger contra a deterioração mental incluíam o exercício, uma dieta saudável e participar em atividades de grupo como um clube de leitura, estudos bíblicos e grupos de discussão organizados, de acordo com Roberts. Os participantes no novo estudo que fizeram exercícios de três a quatro vezes por semana tiveram um menor risco de deterioração do pensamento, mas esses resultados não foram significativos estatisticamente, acrescentou.

Williams disse que o estudo ressalta importantes estratégias para poder melhorar a saúde e a função neurológica ao longo da vida. A população que atualmente está alcançando a terceira idade já está em risco de deterioração mental, de necessitar de ajuda e de uma qualidade de vida reduzida, acrescentou.

"Deveríamos ver isso como outro exemplo da importância de promover a saúde neurológica ao longo da vida", disse Williams. "Nem tudo é miséria e desolação. Os resultados otimistas e positivas podem ser usados para incentivar e promover mudanças de comportamento positivas em todas as fases da vida".

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