A histerectomia ou retirada do útero é a cirurgia mais frequentemente praticada nos Estados Unidos, em mulheres em idade reprodutiva, com exceção da cesariana, que é a primeira. Mas de acordo com um novo estudo, uma em cada cinco mulheres que se submetem a uma histerectomia, na realidade não precisam dela.

É verdade que o número de histerectomias nos Estados Unidos diminuiu recentemente, mas ainda são realizadas mais de 400.000 por ano. Estima-se que de cada três mulheres, uma se submeteu a histerectomia antes dos 60 anos. Mas um estudo realizado na Universidade de Michigan, com base em quase 3.400 mulheres, sugere que existem motivos para duvidar se eram necessárias para pacientes que não tinham um risco elevado de desenvolver câncer.

De acordo com o estudo, uma em cada cinco histerectomias realizadas devido a condições benignas (como miomas uterinos, sangramento vaginal anormal, endometriose ou dor pélvica) poderia ter sido evitada através da realização de tratamentos menos invasivos e radicais. Na verdade, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (American College of Obstetricians and Gynecologist) recomenda que sejam usados tratamentos alternativos (como a terapia hormonal ou ablação do endométrio) em casos de doenças ginecológicas benignas.

O estudo, publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology, descobriu que para 40% das pacientes não foram oferecidos tratamentos alternativos antes de submetê-las a histerectomia. Os pesquisadores envolvidos no estudo analisaram o uso de tratamentos alternativos que podem ser realizados antes de praticar a histerectomia, e indagaram também se a patologia após a cirurgia indicava a necessidade de cirurgia.

Uma em cada Cinco Histerectomias é Desnecessária

Durante 10 meses, a equipe analisou em 52 hospitais de Michigan os registros médicos de 3.397 mulheres que foram submetidas à histerectomia devido a condições ginecológicas benignas.

Os pesquisadores descobriram que 37,7% das mulheres não tinham dados que indicavam que haviam sido submetidas a tratamentos alternativos antes da cirurgia. E os achados patológicos após a cirurgia em 18,3% das mulheres (quase uma em cada cinco) não indicavam a necessidade de uma histerectomia.

De acordo com o estudo, menos de 30% das pacientes recebeu terapia médica antes da histerectomia, e 24% tinham passado (também antes) por pequenas cirurgias.

Era mais provável que as mulheres com menos de 40 tivessem recebido tratamento alternativo. 37,8% das mulheres com menos de 40 anos, no entanto, tinham patologias que não mostravam a necessidade de uma histerectomia, em comparação com 12% das mulheres entre 40 e 50 anos, e 7,5% das mulheres com mais de 50 anos.

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Em geral, as mulheres com dor crônica ou com endometriose tinham mais probabilidade de ter uma patologia que não endossa a necessidade de uma histerectomia.

Os resultados do estudo demonstram que os tratamentos alternativos não são suficientemente usados nas mulheres que estão praticando uma histerectomia, talvez, desnecessária por hemorragia uterina, fibrose uterina, endometriose ou dor pélvica.

De acordo com a Dra. Lauren Streicher, professora da Northwestern University’s Feinberg School of Medicine e autora de O Guia Essencial para Histerectomia (The Essential Gide to Hysterectomy), que não participou do estudo, diz que talvez as mulheres que tomaram parte nele tenham recebido uma visão geral completa dos tratamentos alternativos, mas isso não se refletiu nos prontuários médicos, como às vezes acontece. De qualquer forma, não se mostrou surpresa que os tratamentos alternativos não são usados com a devida frequência.

Em qualquer caso, se o médico te recomenda uma histerectomia, certifique-se de perguntar quais são as alternativas. Muitas vezes, a histerectomia é o melhor tratamento para uma condição específica, mas sempre é bom conhecer todas as suas opções, assim como os riscos e benefícios de qualquer procedimento médico, incluindo a histerectomia. E se você tiver alguma dúvida, peça uma segunda opinião.