A doença inflamatória pélvica é a consequência mais frequente e mais grave da infecção por doenças sexualmente transmissíveis em mulheres.

As mulheres sexualmente ativas entre 15 e 25 anos são aquelas que têm um maior risco de apresentar doença inflamatória pélvica. A doença também pode ocorrer, embora com menor frequência em pessoas com relações sexuais monogâmicas.

As consequências mais graves da doença inflamatória pélvica são um aumento do risco de infertilidade e gravidez ectópica.

Para compreender a doença inflamatória pélvica, é útil conhecer as bases da inflamação. A inflamação é a resposta do organismo aos micro-organismos que causam doenças (patógenos). A parte do corpo afetada apresenta inchaço devido ao acúmulo de líquido no tecido ou vermelhidão devido à acumulação excessiva de sangue.

Remédios Caseiros Para Doença Inflamatória Pélvica

Pode aparecer uma secreção (pus) formada por glóbulos brancos e tecido morto. Após a inflamação, se forma um tecido cicatricial graças à proliferação das células produtoras de fibras (fibrose).

A doença inflamatória pélvica pode ser usada como sinônimo dos seguintes termos:

  • Salpingite (inflamação que afeta as trompas de Falópio).
  • Endometrite (inflamação da mucosa interna do corpo do útero).
  • Abscesso tubo-ovariano (abscessos nas trompas de Falópio e ovários).
  • Peritonite pélvica (inflamação do interior da cavidade abdominal em torno dos órgãos reprodutores femininos).

Diversos fatores podem afetar o risco de apresentar doença inflamatória pélvica:

  • Idade. A incidência de doença inflamatória pélvica é muito elevada em mulheres jovens e diminui com a idade.
  • Incidência. A incidência da doença é entre oito e dez vezes maiores entre as mulheres que não são de raça branca.
  • Nível socioeconômico. A maior incidência de doença inflamatória pélvica em mulheres com poucos recursos socioeconômicos se deve, em parte, à falta de informação e de acesso aos cuidados médicos.
  • Contracepção. O aborto induzido, o uso de um DIU, a falta de utilização de contraceptivos durante a regra, como os preservativos, e as duchas vaginais se associam a um maior risco de doença inflamatória pélvica.
  • Estilo de vida. Os comportamentos de risco, como o abuso de drogas e álcool, início precoce das relações sexuais, o número de parceiros sexuais e o consumo de tabaco são associados a um maior risco de doença inflamatória pélvica.
  • Tipos de práticas sexuais. As relações sexuais durante a menstruação e as relações sexuais frequente oferecem mais possibilidades para a entrada de micro-organismos patógenos no interior do útero.
  • Doenças. Entre 60% e 75% dos casos de doença inflamatória pélvica são associados com doenças sexualmente transmissíveis. Um episódio prévio de doença inflamatória pélvica aumenta as possibilidades de apresentar infecções subsequentes.

As duas principais doenças sexualmente transmissíveis são as causadas por gonococo e Chlamydia irachomatis. O principal sinal de infecção gonocócica (gonorreia) é um corrimento vaginal de muco e pus.

Por vezes, as bactérias procedentes do cólon que se encontram normalmente na cavidade vaginal viajam para cima e infectam os órgãos genitais femininos superiores. Na maioria dos casos, as infecções por clamídia provocam sintomas leves.

Normalmente, o colo do útero produz um muco que age como uma barreira para evitar a propagação de micro-organismos que causam a doença e impedir que penetrem no útero e subam para as trompas e os ovários. Esta barreira pode ser ultrapassada de duas formas. Um micro-organismo sexualmente transmissível, geralmente um único germe, invade as células da mucosa, as altera e penetra através da mesma.

Outras formas pelas quais os micro-organismos penetram incluem os traumatismos e as alterações do colo do útero. O aborto espontâneo ou induzido, e o uso de DIU são situações que alteram ou enfraquecem as células normais da mucosa, tornando-as mais suscetíveis à infecção geralmente por vários micro-organismos. Durante a menstruação, colo do útero se alarga e pode permitir que os micro-organismos entrem na cavidade uterina.

Evidências recentes sugerem que a vaginose bacteriana, uma infecção bacteriana da vagina, pode ser associada com a doença inflamatória pélvica. A vaginose bacteriana é causada por um desequilíbrio entre os micro-organismos normais da vagina, devido, por exemplo, a irrigação excessiva. Quando o equilíbrio se altera, favorece o crescimento de bactérias anaeróbicas que crescem na ausência de oxigênio livre.

Muitas vezes existe um fluxo significativo. Quando além das bactérias anaeróbicas existe um transtorno, como a menstruação, o aborto, a relação sexual ou o parto, esses micro-organismos podem entrar nos órgãos genitais superiores.

A história mais comum de doença inflamatória pélvica é a dor pélvica. No entanto, muitas mulheres com a doença têm sintomas tão leves que passam despercebidos.

Na salpingites aguda, uma forma frequente de doença inflamatória pélvica, a inflamação das trompas de Falópio causa dor na exploração física.

Costuma existir febre. Os abscessos podem ocorrer nas trompas, nos ovários e a cavidade pélvica ao redor. A secreção pode passar para a cavidade peritoneal e causar peritonite, ou os abscessos podem se romper causando uma emergência cirúrgica que coloca em risco a vida da paciente.

A salpingite crônica pode ocorrer depois de uma crise aguda. Após a inflamação, se produzem cicatrizes e aderências, que causam dor crônica e menstruações irregulares. Devido ao bloqueio das trompas por tecido cicatricial, as mulheres com salpingite crônica têm um elevado risco de apresentar gravidez ectópica. O óvulo fertilizado é incapaz de viajar pelas trompas de Falópio até o útero e se implanta na própria trompa, ovário ou cavidade peritoneal. Este transtorno também é uma emergência cirúrgica capaz de colocar em perigo a vida da paciente.

O uso de dispositivos intrauterinos (DIU) foi associado de forma significativa com o aparecimento de doença inflamatória pélvica. É possível introduzir bactérias dentro da cavidade uterina durante a inserção do DIU, ou estas podem viajar através do cabo do dispositivo pelo colo do útero até o útero. O tecido uterino ao redor mostra áreas de inflamação, o que aumenta sua susceptibilidade aos micro-organismos.

Se houver suspeita de doença inflamatória pélvica, o médico deve fazer uma história clínica completa e realizar uma exploração pélvica interna.

Outras doenças que podem causar dor pélvica, como apendicite e endometriose, devem ser descartadas. Se a exploração pélvica revela a presença de dor nessa região ou dor no colo do útero, existe uma alta probabilidade de que se trata de uma doença inflamatória pélvica.

O diagnóstico específico de doença inflamatória pélvica é difícil de fazer, porque os órgãos reprodutores superiores são difíceis de alcançar para obter amostras. O médico pode obter amostras diretamente do colo do útero para identificar os micro-organismos responsáveis pela infecção. Dois exames de sangue ajudam a estabelecer a existência do processo inflamatório. Uma proteína C-reativa (PCR) positiva e uma elevação da velocidade de sedimentação de eritrócitos (VSE) indicam a presença de inflamação.

O médico pode obter líquido da cavidade que envolve os ovários; este líquido é examinado diretamente para buscar a presença de bactérias ou se cultiva. O diagnóstico da doença inflamatória pélvica também pode ser feito mediante uma laparoscopia; este teste é uma técnica cara e um procedimento invasivo que envolve alguns riscos para a paciente.

É importante observar que a terapia alternativa da doença inflamatória pélvica deve ser complementar ao tratamento com antibióticos e ajudam a pessoa a combater a doença e aliviar os sintomas dolorosos associados com a doença inflamatória pélvica.

Leia também: "DIP, Doença Inflamatória Pélvica Em Mulheres".

Remédios caseiros para doença inflamatória pélvica:

  • Aplique, compressas quentes com óleo de rícino, na parte inferior do abdômen durante cerca de 20 minutos. É recomendável repetir este remédio todos os dias durante sete dias.
  • Despeje 1 colher de sopa de equinácea em uma xícara de água e deixe ferver por 5 minutos. Tome uma vez por dia durante um mês. Descontinue por outro mês e volte a tomar por mais 30 dias e depois pare. Este remédio reforça o sistema imunológico e combate as infecções.
  • Ferva uma xícara de água por 5 minutos, após esse tempo, retire do fogo e despeje 1 colher de sopa de selo dourado. Tome uma xícara por dia. Este remédio também ajuda a fortalecer o sistema imunológico.
  • Despeje 1 colher de sopa de calêndula em uma xícara de água que está fervendo. Cubra e deixe esfriar. Tome uma xícara diária. Esta planta tem ação anti-inflamatória.
  • Consuma alimentos ricos em vitamina C, como frutas cítricas, kiwi, etc., de preferência em sucos naturais feitos na hora. Estes, como os remédios anteriores, fortalecem a função imunológica e ajudam o organismo a combater melhor as infecções.

Recomendações: Repousar na cama. Os pacientes devem descansar e reduzir a atividade física para ajudar o corpo a se recuperar mais rapidamente.

Evitar atividade sexual. Tanto a paciente como seu parceiro precisa ser tratada em caso de doença inflamatória pélvica. Também devem evitar a atividade sexual até que suas infecções estejam completamente erradicadas.

Participar de sessões de acupuntura (aplicar pressão em pontos específicos) aumenta o fluxo sanguíneo na doença inflamatória pélvica, reduz a dor e promove a saúde geral.