Estudos recentes confirmam que a prevalência de diabetes está aumentando rapidamente em todo o mundo, com previsões inclusive que estimam que em 2013 se chegue a 439 milhões de pessoas com diabetes em todo o mundo.

Uma pesquisa importante e recente, “The Australian diabetes, obesidade e estilo de vida”, confirmou as variáveis biológicas e comportamentais como fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 (um tipo de diabetes crônica e cujo princípio é mais comum na idade adulta).

Ao contrário de estudos anteriores, a pesquisa australiana presta atenção ao impacto que desempenham os fatores de risco psicológicos, as relações sociais e os fatores de estresse no desenvolvimento da diabetes. A pesquisa mostra uma ligação entre o estresse e a incidência de diabetes, especialmente na população feminina. Até a publicação deste estudo não havia sido desenvolvido muito o papel dos fatores de risco psicossociais no campo da diabetes.

O Estresse e o Riscos da Diabetes

O objetivo principal deste estudo é analisar o impacto do estresse sobre o metabolismo anormal de glicose. Neste sentido, os resultados da pesquisa são importantes para entender melhor a contribuição das influências psicossociais no aumento da presença global de diabetes.

Estresse Aumenta o Risco de Diabetes

Este estudo analisa os efeitos do estresse sobre o metabolismo da glicose e fornece dados relevantes a partir da observação em uma amostra populacional de 3.759 pessoas com normoglicemia (níveis de glicemia em jejum no sangue e de tolerância à glicose dentro da faixa normal) que no ano de 1999-2000 tinham uma idade igual ou superior a 25 anos. A amostra foi selecionada aleatoriamente a partir de 42 censos de diferentes distritos australianos.

Características Iniciais de Pessoas Que Não Metabolizam Bem a Glicose

Na análise das características basais, foram constatadas diferenças significativas entre aquelas pessoas que metabolizam bem a glicose e aquelas que não o fazem. De acordo com o estudo:

  • As pessoas que não metabolizam bem a glicose geralmente são idosas e preferencialmente do sexo masculino.
  • Os homens e mulheres com alterações no metabolismo de glicose contam com níveis mais baixos de educação, especialmente os homens.
  • Outro fato relevante é que as mulheres com um metabolismo alterado de glicose sofrem altos níveis de estresse; padrão que não se segue no caso dos homens.

Em geral, aquelas pessoas que não metabolizam bem a glicose têm níveis mais baixos de atividade física (não muito significativo nos homens) e aumento da obesidade central (obesidade localizada em torno do abdômen, em ambos os sexos). O estresse percebido e os acontecimentos vitais estressantes são altamente correlacionados em homens e mulheres.

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Relação Entre o Estresse Percebido e o Metabolismo Anormal de Glicose

Nas mulheres existe uma relação entre o estresse percebido, a educação e o fato de sofrer alterações no metabolismo da glicose. Os pesquisadores descobriram que, após os cinco anos do estudo, as mulheres com altos níveis de estresse eram mais propensas a sofrer de deficiências no processo do metabolismo da glicose. No entanto, nos homens o estresse percebido não constitui um fator de risco para o desenvolvimento desta deficiência no metabolismo.

Para entender melhor os aspectos do estresse percebido que afeta o desenvolvimento de um metabolismo anormal de glicose, o estudo constituiu o estresse percebido em diferentes fatores. Nas mulheres, os fatores de risco são:

  • A tendência a se preocupar excessivamente.
  • A tensão.

Inclusive depois de certa idade, também incidem a educação e as condutas de saúde. Não se constatou a mesma relação entre os homens, as preocupações e a tensão não predizem um desenvolvimento anormal do metabolismo da glicose. Os pesquisadores descobriram que nos homens o que aumenta significativamente o risco de apresentar anormalidades no metabolismo da glicose é o baixo nível de prazer.

Após o estudo se deriva que as pessoas devem reconhecer a importância que desempenha o estresse na saúde física geral e levá-lo em conta como um fator tão prejudicial quanto à obesidade, a baixa atividade física e a má alimentação.